RECORRENDO A CARRETERA AUSTRAL
por Juan Arenas VaLência


Amigos, abaixo segue uma tradução "caseira" dos textos que me foram enviados pelo Juan. Algumas modificações foram necessárias para a adaptação ao nosso idioma. A intenção principal da publicação destas memórias de viagem é fornecer dados seguros, obtidos por um motociclista experiente, chileno e conhecedor do terreno para àqueles que um dia desejem trilhar estes caminhos com segurança, aproveitando assim toda a exuberância de uma das estradas mais bonitas do mundo.
Luiz Felipe Borges


    Recorrer a Carretera Austral foi a realização de um sonho muito esperado. A cada ano tentávamos porém nunca era realizado. Este ano Carlos, Fernando e eu decidimos realizá-lo mas, como sempre acontece em alguns projetos de viagem, a princípio todos vão e logo, pouco a pouco, alguns vão desistindo. No meu caso, no dia de partida, meus companheiros por diferentes motivos não foram e acabei saindo só.
    Depois de minha experiência apenas me reservo a fazer uma série de recomendações para percorrer este caminho é uma verdadeira maravilha.
    Em primeiro lugar e por dicas de motoristas locais que conhecem muito bem a Carretera Austral são recomendadas as motos tipo enduro (trail, off-road) por causa da geografia do terreno e pelo mal estado de conservação em que se encontram alguns trechos da estrada. Não é recomendado levar a moto muito carregada (geralmente os brasileiros levam coisas para 2 meses). No meu caso comprei uma honda Tornado 250 que mecanicamente esteve à altura das circunstâncias e não tive nenhum problema sério. Porém, nesta estrada, ela ficou devendo um pouco quando em momentos de dificuldade e era necessário tracionar, a roda traseira pulava mais que bola de basquete, a relação de marchas também não ajuda muito e, para mim, esta moto parece mais adequada para o asfalto que para o rípio. Passam muitas BMW por estas estradas e muitas se vão ao chão, pessoalmente vi duas totalmente destruídas. Resumindo, as motos pequenas são mais adequadas para este percurso.
    Feita esta introdução passo a relatar minha viagem.
    Atenciosamente, Juan Arenas Valência.

01 de janeiro de 2012
Saída de Santiago às 7 da manhã. Este primeiro trajeto não tem nada de interessante já que é apenas um caminho pela autopista. Minha primeira escala foi em Llanquihue (1000 km do ponto de partida) na casa do Carlos, um velho colega de colégio onde cheguei por volta das 18 h.
Depois de um bom salmão às margens do lago Llanquihue fui descansar, pois no próximo dia é que realmente começaria minha verdadeira aventura.

Lago Llanquihue

Por recomendação do meu amigo Carlos, em vez de sair de Puerto Montt até a Carretera Austral, o melhor será contornar o lago Llanquihue evitando assim a primeira travessia de balsa de Arena até caleta Puelche.


02 de janeiro de 2012
Saí da casa do Carlos às 07:00 h com um sol maravilhoso e contornei o lago Llanquihue até Ensenada passando pelo vulcão Osorno.

A primeira etapa


Lago Llanquihue

Segui direto até Ralún atravessando muita área de floresta com vistas impressionantes. Aqui acaba a comodidade do asfalto e começa o rípio. Entramos direto no estuário de Reloncaví onde existe uma grande quantidade de “salmoneras” , onde é criado o salmão, um dos grandes produtos de exportação do Chile.

As salmoneiras





Contornando o estuário chegamos a Cochamó, uma pequana vila onde quase toda a população trabalha em função do salmão. Seguindo, a estrada nos leva a um bonito rio que desemboca neste estuário e deste ponto sigo diretamente até Hornopirèn onde começa a travessia de balsa. Este trecho da estrada que passei é muito estreita, com muitas curvas e muito rípio solto, sendo necessário muito cuidado para não cair.
Por volta das 13:30 h cheguei a Hornopirén, depois de 230 km e 5h dispensadas para o trajeto.
Nesta época de verão somente circulam 2 balsas por dia, as pessoas em carros podiam esperar até 2 dias para a travessia mas, para minha sorte, a moto entra em qualquer espaço e consegui embarcar na última saída das 14:00 h.

Ao fundo o povoado de Hornopirén


Na balsa


Na balsa

Depois de 04 horas de navegação cheguei à Leptefù onde desembarquei e tive que rodar 10 km até Fiordo Largo e voltar a embarcar em outra balsa até Caleta Gonzalo num percurso de apenas 30 minutos.

A balsa para Caleta Gonzalo

A viagem continua por 60 km de terra até chegar em Chaitén. Neste trecho é possível ver toda a destruição causada pela erupção do vulcão Chaitén aproximadamente à 2 anos. A estrada está muito ruim e as médias de velocidade ficaram em torno de 20 km/h a 40 km/h. No caminho ainda existe lava vulcânica e a medida que nos aproximamos de Chaitén notam-se ainda florestas petrificadas e rios ainda carregados de cinzas. Cheguei a Chaitén por volta das 18 h e para minha surpresa o povoado que foi totalmente destruído já foi quase que totalmente reconstruído.

Muita cinza vulcânica



Apesar do Governo Chileno ter movido o povoado mais ao sul onde o perigo seria menor as pessoas regressaram para recomeçar uma nova vida no mesmo lugar.
Fui direto para o “Alojamiento Don Carlos”, um hotel recém construído e com todas as comodidades de uma grande centro. Em seguida, antes de dormir, fui ao único restaurante que funcionava no povoado e comi um delicioso Congrio.


03 de janeiro de 2012
Cedo da manhã eu já estava levantando, tomei um bom café da manhã e saí rápido para fazer algumas fotos do povoado.



"Praia de cinzas"


"Praia de cinzas"


Aqui existiam casas


Aqui existiam casas

Por sorte aqui temos um trecho de 30 km que está asfaltado e de onde se pode apreciar com calma toda a beleza da natureza, com diferentes rios que cruzam em direção ao mar.

Nota para o rípio muito solto





Perto do meio dia cheguei a La Junta, um pequeno povoado onde se encontra de tudo, principalmente gasolina, ainda que a quase Us$ 2,00 o litro (mas sorte que tem !).

Ponte Roselot

Na chegada do povoado encontramos a ponte Roselot e do lado esquerdo estão as cabanas Roselot as quais seus donos são amigos de nosso amigo Brazil Riders Hanno e, por recomendação deste, passei ali para deixar um abraço em seu nome. Acabei tomando um café com deliciosos “Kuchen” de cerejas enquanto algumas lembraças vinham da passagem do Hanno por lá, como a de uma grande tormenta que atingiu o local durante a noite.

Os amigos de Hanno e Sandra
Por recomendação dos novos amigos fui a Puerto Marin (67 km em direção ao mar), no princípio tudo ia bem até que a estrada começou a mudar, com muito rípio solto, buracos e ondulações transversais também conhecidas como “costeletas” ou “calaminas” (no Chile). A média foi de 20 km/h, o que não foi de todo mal, pois a paisagem era muito bonita com vistas impressionantes até o final da estrada que chega em um pequeno povoado. Neste lugar tomei uma balsa que atravessa o rio Roselot e, após mais 10 km, chega-se a outro pequeno povoado muito bonito, com praias lindíssimas na desembocadura do rio. Bom, como não havia mais o que ver, preferi não ficar no vilarejo e decidi voltar a La Junta aproveitando o último horário da balsa do rio que era às 18 h (tive apenas 10 minutos para tal!).

Rio Roselot


Desembocadura do Rio Roselot

Cheguei a La Junta por volta das 20:00 h muito cansado, não quis voltar às cabanas do amigo do Hanno porque com certeza ficaríamos conversando até tarde e eu não poderia descansar bem. Procurei um alojamento e às 21:00 h já dormia como um bebê.

Mapa da gasolina ao longo da Carretera Austral


04 de janeiro de 2012
Como sempre levantei cedo, tomei o café da manhã e saí para a estrada. Antes de deixar o povoado tirei uma foto da típica praça e tomei rumo de Puyuhuapi, distantes 44 km de rípio bem estabilizado e de uma paisagem bem variada. Quando menos esperava já avistava a placa de bem-vindo.Cheguei cedo a este povoado quase deserto, com apenas alguns turistas europeus caminhando ou outros que viajavam de bicicleta. Dei uma volta, tirei outra foto da praça, abasteci a moto e segui 50 km pela margem do lago até a bifurcação de Puerto Cisnes com La Tapera. Neste trecho passei pelo Parque Nacional Queulet, com abuandante vegetação, cordilheira e lugares muitos bonitos. Ainda neste último trecho a estrada se apresenta muito estreita e com rípio solto. A vegetação é tão abundante que invade a estrada e nos força a parar para dar passagem a algum outro veículo em sentido contrário.



La Junta




A praça em Puyuhuapi

Na saída do parque existe uma subida muito longa e perigosa que me faz lembrar os Caracoles no Paso Los Libertadores. Como recompensa já nesta saída recomeça o asfalto, tomo a direita e vou de imediato para Puerto Cisnes distante 32 km, dos quais 20 km são de asfalto e o resto já se encontra em obras para pavimentação.








Assim que cheguei ao povoado já iniciei a visitação. É um lugar muito pitoresco e com pessoas muito amáveis. É o único lugar no sul que tem a festa do Peixe Frito e para meu azar seria somente na próxima semana. Outra coisa que me chamou a atenção foi ter encontrado "visones", que até então eu pensava serem de água doce e, obviamente, estavam em água salgada.

Puerto Cisnes


Puerto Cisnes


Puerto Cisnes


O bicho da água salgada."Visones".

Decidi ficar e almoçar e pedi um salmão “a la plancha”.
Após a refeição retornei à estrada com destino a Puerto Aysen por um trajeto de 180 km, muito bonito, com vários mirantes e paisagens de cordilheira. Para finalizar parei no mirante Oeste Valle Rio Cisnes. Passei em Villa Amengual onde não se encontra nada, nem gasolina.
A viagem segue pela margem de alguns lagos até que se entra em um vale com criação de gado e agricultura que vai direto a Puerto Aysen. Ao chegar a Puerto Aysen já nos deparamos com a imponente ponte que é largamente estampada em postais da região. Atravessei e fui direto a Puerto Chacabuco, uma das principais conexões marítimas no sul do país mas, como não havia muito o que ver, regressei à Puerto Aysen pois já era tarde e hora de buscar um hotel para descansar.

Trajeto a Puerto Aysen

Puerto Aysen é uma das maiores cidades do sul, é quase o único lugar onde se encontra tudo e a preços normais. Aí estão quase todos os bancos e lugares para trocar moeda (exceto Coyhaique que também tem quase tudo). O ideal nesta região é levar o dinheiro em espécie.
Busquei um hotel e fui descansar, no próximo dia uma longa jornada me esperava.

Trajeto a Puerto Aysen


Trajeto a Puerto Aysen


Trajeto a Puerto Aysen


Trajeto a Puerto Aysen


Villa Amengual


Villa Amengual






O vale até Puerto Aysen


"O cartão postal"




05 de janeiro de 2012
Fui acordado às 07:00 h, tomei o café e saí para a estrada com destino a Coyhaique , distante 48 km. O trajeto é por um vale sem muita vegetação mas com um belo visual. Antes de chegar temos uma vista da cidade, de muito longe, que já impressiona por sua beleza. Para meu azar o tempo não ajudou muito na hora de realizar a fotos.

Chegando a Coyhaique


Chegando a Coyhaique

Ao chegar na cidade vou ao encontro de um amigo e com ele fiz um pequeno “tour”.
Coyhaique é a maior cidade da Carretera Austral e é deste ponto que se abastece todo sul do Chile.

Coyhaique


Coyhaique

Fui ao Sernatur ( Serviço Nacional de Turismo do Chile) para pedir informação e alguns mapas, tirei algumas fotos e como não sou amigo de grandes cidades rapidamente decidi seguir meu roteiro. Meu amigo me acompanhou até a saída da cidade e segui viagem por lindas planícies até meu próximo destino que era Cerro Castillo, distante 100km.




Depois de Coyhaique existe um desvio até Puerto Ibañez e Puerto Tranqüilo, também aí começa o lago General Carrera, um dos maiores do mundo com cerca de 200 km de largura. Aqui acaba o asfalto.
Este trajeto é feito por uma estrada muito bem asfaltada e aos poucos a paisagem vai ficando mais desértica devido à proximidade com a Cordilheira. O verde começa a ficar para traz.
Quando cheguei em Cerro Castillo encontro um bom lugar para comer, onde 2 ônibus foram transformados em restaurante. Pedi um hambúrguer, muito bom que serve à 2 pessoas pois o pão é do tamanho do prato.



O restaurante

Sigo até Puerto Tranqüilo passando por rios que alimentam o lago e uma vegetação mais árida. A estrada nestes 118 km vai costeando o lago General Carrera. Ao chegar, por volta das 17h vou direto ao camping que haviam me recomendado em Coyhaique, instalo minha humilde barraca e saio para visitar o povoado distante 1 km.

Até Puerto Tranquilo


Até Puerto Tranquilo


Lago General Carrera


Lago General Carrera


Chegando em Puerto Tranquilo


Juan em seu hotel 5 estrelas


Puerto Tranquilo

Também por recomendação de conhecidos sai a procura de um “kuchen” de maças e cerejas, prato muito típico da região. Depois de colocar meu estômago em condições fui a procura de um tour para a Catedral de Mármore.
Na margem deste lago existe uma região com mármores de muitas cores que foram esculpidos durante milhões de anos pela força erosiva da água. O conjunto foi declarado patrimônio da humanidade pela Unesco.
O Tour é para 10 pessoas, porém, se não ocorre a lotação do passeio é necessário que se pague uma diferença para que o mesmo seja realizado. O custo individual é de Us$ 10,00 e se quer ir sozinho tem a possibilidade de pagar apenas Us$ 60,00. Deixei contratado com uma empresa e no dia seguinte saio para o turismo.


06 de janeiro de 2012
Pontualmente às 07:00 h eu já estava pronto para sair ao povoado para tomar o café da manhã. Encontrei um local acolhedor e enquanto tomava o “desayuno” esperava pelas demais pessoas que iriam junto até as cavernas de mármore por volta das 09:00 h.
Conseguimos 5 pessoas, subimos na lancha e partimos rumo às cavernas. Depois de meia hora no trajeto chegamos ao local. Não há muito o que comentar, as fotos a seguir dizem tudo. O passeio tem duração de 1 hora e meia e é indispensável para quem se aventurar por estes lados.

As cavernas


















A Catedral de Mármore







Terminado o passeio retornei ao camping, desmontei a barraca, me despedi do lugar e segui rumo a Chile Chico por 165 km de rípio em mal estado. Este trajeto é feito costeando o lago e como já disse antes, a medida que nos aproximamos da cordilheira a paisagem vai ficando mais árida.
Depois de ter recorrido uns 150 km por caminhos sinuosos, poucas vezes em bom estado e com um tempo bem quente para a região chego às minas de ouro onde trabalham a maioria da população de Chile Chico. Cheguei a esta pequena cidade fronteiriça com a Argentina por volta das 17:00 h e, de pronto, já fiz uma foto na placa de boas vindas com direito a 1 par de cachorros que queriam sair na mesma. Em seguida fui à casa de um amigo que estava me esperando.

As próximas fotos são do lago General Carrera


















A mina de ouro


A mina de ouro

Após um bom banho, uma boa comida e, logicamente, um bom vinho, já tarde me recolhi à cama, muito cansado e dormi.


07 de janeiro de 2012
Hoje foi dia de descanso, levantei tarde já que havia finalizado grande parte de minha viagem.
O projeto original era chegar até Villa O’higgins, para isto teria que retroceder 160 km e tomar outra estrada até aí. A verdade é que eu não estava mais disposto a fazer isto, eram muitos km de rípio e, apesar da moto que tenho não apresentar nenhum problema, ela não está a altura destas estradas. Decidi iniciar no dia seguinte o regresso pela famosa Ruta 40 na Argentina até Bariloche.
Hoje contratei o seguro exigido na Argentina, comprei alguns pesos e gasolina extra para levar (quase Us$2,00 o litro). Aproveitei todo o dia preparando o retorno, resolvi sair por volta das 03:00 h. Para a Argentina a aduana fecha às 04:00 h e reabre às 08:00 h e isso para mim é sair muito tarde. Por este motivo jantamos e , ainda com sol alto, fui dormir às 21:00h ( aqui anoitece às 23:00 h).
Neste povoado onde estou existem bancos e todos serviços básicos. O lugar encontra-se cheio de turistas que nesta época visitam o sul do Chile e da Argentina.

Chile Chico e os cachorros que queriam sair na foto


A aduana


08 de janeiro de 2012
Acordei às 02:30 h, tomei um bom café e às 03:15 saí em direção à fronteira distante 1 km de onde me encontrava. Foi a primeira vez na vida que fui atendido tão rápido, eu era a única pessoa passando nesta hora. O mesmo ocorreu 2 km adiante na aduana argentina.

A saída de noite
Por volta das 04:00 h eu já estava em pleno território argentino a caminho de Perito Moreno. A pampa ainda estava escura e somente a lua iluminava a estrada quando passei pela cidade e, ainda acompanhando pela noite, segui direto a Rio Mayo, distante 152 km.
Havia rumores em Chile Chico que estavam assaltando viajantes na Argentina e por isso segui com muito cuidado. De repente, em plena pampa, ainda escuro, avistei luzes e ao chegar mais perto percebi que se tratava de um carro e 3 homens numa fogueira. Estes me fizeram sinal para parar como se estivessem com o carro avariado, diminuí a marcha e ao me aproximar acelerei com tudo. Nunca saberei se eram assaltantes ou se realmente precisavam de ajuda.
Tudo ia bem até que apareceu o rípio. Foram 61 km de uma estrada horrível até Rio Mayo onde cheguei com o raiar do sol. Por sorte encontrei gasolina barata e aqui. Deixei a RN 40 e toquei pela Ruta 22 e 20 até Bariloche.
Neste trecho começa outro drama, soprava de frente um vento de aproximadamente 80 km/h e a moto não andava. Foi necessário viajar em 3ª e 4ª marcha quase todo o caminho o que levou a um aumento drástico no consumo de combustível. Cheguei em Gobernador Costa com pouquíssima gasolina e o pior é que aqui não havia “nafta”, nem uma gota. Me falaram que a 80 km adiante talvez tivesse gasolina. Segui viagem e tive sorte em chegar com a gasolina que restava. Para minha surpresa aí também não havia, porém, como bem conheço meus amigos argentinos, perguntei se alguém teria gasolina para vender....pois bem, no final, todos tinham a um módico preço de Us$ 2,50. Enchi o tanque e a garrafa de reserva que levava.
Como o vento era tão forte conversei com um caminhoneiro sobre a possibilidade de viajar no vácuo de seu caminhão, um tanto arriscado mas foi o que me permitiu chegar a El Bolson por volta das 17:00 h. Havia começado a chover e fazia muito frio, o vento da cordilheira não parava. Nesta cidade encontrei um posto Petrobrás com gasolina a Us$1,00, enchi o tanque e mesmo muito cansado depois de 13 horas de pilotagem, segui viagem até Bariloche onde cheguei por volta das 20 h.
Hoje rodei 16 h e percorri 900 km com uma tornado. Nada mal hein !
Neste mesmo momento uns amigos brasileiros estavam em minha casa em Santiago e de onde sairiam no dia seguinte para o sul do Chile. Minha intenção é encontrar com eles na casa do amigo Carlos em Galvarino.
Aqui em Bariloche um amigo me levou a sua casa e logo a um hotel, pois a única coisa que eu precisava hoje era de uma cama.


09 de janeiro de 2012
Em San Carlos de Bariloche choveu a noite inteira e, até o momento, eu não tinha pego nenhuma gota de água significativa. Apenas alguns pingos perdidos perto de El Bolson.
Depois do café da manhã fui me despedir do meu amigo Rodrigo.
Já tinha um sol maravilhoso e às 10:00 h eu já estava a caminho da fronteira com o Chile. Ao passar por Villa La Angostura pude ver o dano causado pelo vulcão Caulle. Apartir deste ponto começou a chover sem parar e o frio aumentou.
Cheguei em território chileno às 13:00 h. Carlos me esperava em Galvarino mas os amigos brasileiros do Paraná não faziam idéia de minha chegada. Esta se deu por volta das 19:00 h, Padre Dé e sua comitiva já haviam descarregado as motos e estavam visitando a igreja local quando me viram, foi uma grande surpresa. A última vez que tinha conversado com eles foi no Brasil em novembro de 2010. Fomos a casa de Carlos para beber algo e depois dormir.

Em Galvarino na casa de Carlos com os brasileiros


10 de janeiro de 2012
Muito cedo tomamos café e saímos rumo a estrada até chegar a Ruta 5. Me despedi deles pois eu seguia ao norte e eles ao sul, até Bariloche. Uma despedida muito simpática, até me levantaram nos braços.

Saída de Galvarino


Despedida no entroncamento da Panamericana

Nestes 10 dias de viagem percorri cerca de 4000 km, sendo que 970 destes correspondem a Carretera Austral (700 km rípio e 270 km asfalto), 1000 km em território argentino (rípio e asfalto) e 2000 km de autopista de Santiago até o sul.
Cheguei em casa por volta das 20:00 h, cansado, com fome e a única coisa de que eu precisa era descansar.

FIM


Juan Arenas Valência, janeiro de 2012.
avponcho@yahoo.es